Avaliação pré-operatória
Avaliação do coração antes de uma cirurgia: quem precisa
Nem toda pessoa precisa de exames cardiológicos antes de uma cirurgia. A decisão considera o procedimento, doenças conhecidas, sintomas e condições clínicas de cada paciente.

A avaliação do coração antes de uma cirurgia depende do tipo e do porte do procedimento, dos sintomas, das doenças cardiovasculares conhecidas e do estado geral da pessoa. Nem todo paciente precisa consultar um cardiologista ou fazer exames cardíacos: a equipe responsável pela cirurgia define, caso a caso, se essa avaliação é necessária.
Toda pessoa precisa passar por um cardiologista antes de operar?
Não. A avaliação pré-operatória começa com a equipe que acompanha a cirurgia, que reúne informações sobre a saúde do paciente e o procedimento planejado. A consulta com cardiologista pode ser indicada quando há sintomas ou condições do coração que precisam ser esclarecidos antes da operação.
Essa análise considera mais do que a idade ou o nome da cirurgia. A equipe pode levar em conta o histórico médico, o exame clínico, os riscos do procedimento e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. A avaliação é individualizada, e exames não são pedidos automaticamente para todos.
Fazer exames por rotina, sem uma razão clínica, pode não acrescentar informações úteis e não substitui a conversa com os profissionais responsáveis. Diretrizes recomendam evitar testes cardíacos quando o resultado não deve mudar a conduta, especialmente em pessoas com baixo risco e cirurgias de menor risco.
Quais fatores podem levar à avaliação do coração?
A equipe pode considerar uma avaliação cardiológica quando a pessoa tem uma doença cardiovascular conhecida, como alteração nas válvulas do coração, arritmia ou insuficiência cardíaca. Sintomas novos ou sem explicação, como dor no peito, falta de ar ou desmaio, também merecem ser informados antes da operação.
O tipo e o porte da cirurgia importam porque os procedimentos podem impor exigências diferentes ao organismo. Também se considera se a operação é programada ou urgente. A urgência pode limitar o tempo disponível para avaliações, por isso a equipe pondera os riscos e os benefícios de investigar antes de prosseguir.
Outro aspecto é a capacidade funcional, ou seja, o quanto a pessoa consegue fazer atividades habituais sem sintomas importantes. Dificuldade para realizar tarefas simples pode ter diferentes causas e precisa ser interpretada junto com o histórico e o exame clínico, não como um resultado isolado.
Exemplo hipotético: uma pessoa sem sintomas, que fará um procedimento de menor porte, pode receber uma orientação diferente daquela dada a alguém com doença cardíaca conhecida e que será submetido a uma operação mais complexa. Esse exemplo não determina a conduta de um paciente específico: a equipe decide com base no conjunto de informações.
Quem tem fatores de risco, como pressão alta ou diabetes, deve informar isso à equipe, mas a presença de um fator isolado não significa automaticamente que será necessário fazer exames ou adiar a cirurgia. Para entender melhor a avaliação clínica antes de operar, consulte a página de avaliação pré-operatória.
Quais exames podem ser pedidos e por quê?
Os exames são escolhidos conforme a história, os sintomas, o exame clínico e o procedimento planejado. O eletrocardiograma (ECG) registra a atividade elétrica do coração. O ecocardiograma é um ultrassom que mostra a estrutura e o funcionamento do coração. Cada exame responde a perguntas diferentes, e nenhum deles é obrigatório para toda cirurgia.
Um ECG pode ser considerado em alguns pacientes com doença cardiovascular conhecida ou diante de determinadas cirurgias e situações clínicas. O ecocardiograma pode ser útil quando há uma questão específica sobre a função do coração ou uma suspeita clínica que justifique examiná-la. A solicitação depende do contexto, não apenas da existência de uma cirurgia marcada.
O teste de esforço também não é um exame de rotina para qualquer pessoa que vai operar. Diretrizes recomendam que seja considerado apenas em situações selecionadas, quando a avaliação clínica aponta risco mais elevado e o resultado pode contribuir para uma decisão. Para pacientes com baixo risco ou boa capacidade funcional, o teste tende a não ser indicado apenas por causa da cirurgia planejada.
Um achado isolado não decide, por si só, se a operação pode acontecer. A equipe interpreta o resultado junto com os sintomas, os antecedentes, o exame clínico e o tipo de procedimento. Para conhecer os exames cardíacos e suas finalidades, veja a página sobre exames do coração.
O que fazer antes da cirurgia?
Conte à equipe quais doenças já foram diagnosticadas, quais sintomas percebeu, quais exames anteriores realizou e todos os medicamentos que usa. Leve, se possível, os resultados de exames anteriores disponíveis, pois podem ajudar os profissionais a entender o histórico.
Não interrompa nem altere nenhum remédio por conta própria. Converse com o seu médico antes de mudar qualquer remédio, pois a orientação depende do medicamento, da condição tratada e do planejamento cirúrgico.
Se surgir um sintoma novo ou houver piora antes da data da operação, avise a equipe responsável. Ela poderá avaliar se é preciso rever o planejamento ou realizar uma investigação adicional.
Quando procurar o pronto-socorro
Procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) diante de dor forte no peito ou que não passa, falta de ar súbita, desmaio, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar. Esses sinais exigem atendimento urgente e não devem aguardar uma consulta pré-operatória.
Conheça o check-up cardiológico com o Dr. Bruno Saba.
O Dr. Bruno Saba é cardiologista e realiza avaliação pré-operatória em Bragança Paulista e Amparo. Se a equipe cirúrgica indicar uma avaliação cardiológica, é possível agendar pelo botão de WhatsApp do blog.
Referências
- 2024 AHA/ACC/ACS/ASNC/HRS/SCA/SCCT/SCMR/SVM Guideline for Perioperative Cardiovascular Management for Noncardiac Surgery: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation, 2024.
- 2022 ESC Guidelines on Cardiovascular Assessment and Management of Patients Undergoing Non-Cardiac Surgery. European Society of Cardiology.
- Pocket Guidelines on Non-Cardiac Surgery: Cardiovascular Assessment and Management. European Society of Cardiology.