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Dr. Bruno Saba

Dislipidemia

Colesterol alto é perigoso?

O colesterol elevado pode aumentar o risco cardiovascular. Entenda os tipos de colesterol, valores de referência e o que pode ser feito.

Colesterol alto é perigoso?

O colesterol elevado pode aumentar o risco cardiovascular. Entenda os tipos de colesterol, valores de referência e o que pode ser feito.

O que é o colesterol?

O colesterol é uma substância gordurosa naturalmente presente no sangue e em todas as células do organismo. Apesar da má reputação, o colesterol desempenha funções essenciais: participa da produção de hormônios (como testosterona, estrogênio e cortisol), é fundamental para a síntese de vitamina D pela pele e compõe a estrutura das membranas celulares. O fígado é o principal produtor de colesterol no corpo, cerca de 70% a 80% do colesterol circulante é produzido pelo próprio organismo, enquanto o restante vem da alimentação. O colesterol não se dissolve no sangue e, por isso, é transportado por proteínas chamadas lipoproteínas. As duas principais são o LDL (lipoproteína de baixa densidade), frequentemente chamado de 'colesterol ruim', e o HDL (lipoproteína de alta densidade), conhecido como 'colesterol bom'. Essa nomenclatura popular, embora simplificada, reflete o papel de cada um no organismo.

LDL e HDL: qual a diferença?

O LDL transporta o colesterol do fígado para os tecidos e, quando em excesso, tende a se depositar nas paredes internas das artérias, iniciando o processo de formação de placas de gordura (aterosclerose). Essas placas reduzem progressivamente o calibre das artérias e podem eventualmente se romper, formando coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo, mecanismo por trás do infarto e do AVC. Já o HDL faz o caminho inverso: recolhe o colesterol dos tecidos e das paredes arteriais e o leva de volta ao fígado, onde é metabolizado e eliminado. Por isso, níveis mais altos de HDL estão associados a menor risco cardiovascular. É importante entender que o perigo do colesterol não está na substância em si, mas no desequilíbrio entre LDL e HDL e na interação com outros fatores de risco cardiovascular.

Por que o colesterol alto pode ser perigoso?

Quando o LDL está persistentemente elevado, o processo de aterosclerose se acelera. As placas de gordura que se formam nas artérias coronárias (que irrigam o coração) podem levar à angina (dor no peito por redução do fluxo) ou ao infarto agudo do miocárdio (quando a placa se rompe e um coágulo obstrui completamente a artéria). O mesmo processo pode ocorrer nas artérias cerebrais (levando ao AVC) e nas artérias periféricas (causando doença arterial periférica, com dor nas pernas ao caminhar). Um aspecto particularmente preocupante do colesterol alto é que ele não produz sintomas. Uma pessoa pode ter níveis muito elevados de LDL durante anos sem sentir absolutamente nada. É por isso que o colesterol é frequentemente chamado de 'inimigo silencioso', quando os sintomas aparecem, geralmente já há doença arterial estabelecida. A única forma de saber se o colesterol está elevado é por meio de exames de sangue.

Valores de referência

Os valores considerados adequados de colesterol variam conforme o risco cardiovascular global de cada pessoa. Pacientes que já tiveram infarto ou AVC, ou que apresentam múltiplos fatores de risco, precisam de metas mais rigorosas de LDL. De forma geral, os parâmetros utilizados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia são:

  • Colesterol total: desejável abaixo de 190 mg/dL
  • LDL: a meta varia conforme o risco cardiovascular, pode ser abaixo de 130 mg/dL (risco baixo), 100 mg/dL (risco intermediário), 70 mg/dL (risco alto) ou até 50 mg/dL (risco muito alto)
  • HDL: desejável acima de 40 mg/dL para homens e 50 mg/dL para mulheres, valores muito baixos de HDL aumentam o risco cardiovascular
  • Triglicérides: desejável abaixo de 150 mg/dL, níveis muito elevados (acima de 500 mg/dL) podem causar pancreatite
  • Colesterol não-HDL: calculado subtraindo o HDL do colesterol total, é um indicador complementar do risco

Fatores que influenciam o colesterol

O nível de colesterol no sangue é determinado pela interação entre fatores genéticos e hábitos de vida. A alimentação rica em gorduras saturadas (presentes em carnes gordas, embutidos, manteiga, queijos amarelos) e gorduras trans (presentes em alimentos ultraprocessados, biscoitos recheados, margarinas) contribui para o aumento do LDL. O sedentarismo e a obesidade, especialmente a gordura abdominal, também estão associados a perfis lipídicos desfavoráveis. O tabagismo reduz os níveis de HDL e danifica as paredes arteriais, potencializando o efeito nocivo do LDL elevado. Algumas pessoas, no entanto, têm predisposição genética para colesterol alto. A hipercolesterolemia familiar é uma condição hereditária que pode elevar significativamente os níveis de LDL desde a infância, independentemente dos hábitos alimentares. Estima-se que 1 em cada 250 a 500 pessoas tenha essa condição, e muitas não sabem, o que reforça a importância dos exames periódicos e da investigação familiar.

Controle e tratamento

O controle do colesterol é baseado em dois pilares: mudanças no estilo de vida e, quando indicado, uso de medicamentos. As medidas não farmacológicas incluem adotar uma alimentação equilibrada com maior consumo de fibras, frutas, verduras e gorduras insaturadas (azeite, peixes, castanhas); praticar atividade física regular (que ajuda a elevar o HDL e reduzir o LDL e os triglicérides); perder peso quando há excesso; e parar de fumar. Quando as mudanças no estilo de vida não são suficientes ou o risco cardiovascular é elevado, o cardiologista pode prescrever medicamentos hipolipemiantes, sendo as estatinas a classe mais utilizada e com maior evidência de benefício na redução de eventos cardiovasculares. O tratamento deve ser contínuo e acompanhado com exames periódicos para avaliar a resposta e ajustar as doses.

Acompanhamento cardiológico

O acompanhamento regular com cardiologista é fundamental para o controle adequado do colesterol. Os exames de perfil lipídico devem ser realizados periodicamente, a frequência depende do nível de risco e dos valores encontrados. Além dos exames laboratoriais, o cardiologista avalia o risco cardiovascular global, considerando todos os fatores envolvidos, e define a estratégia mais adequada para cada paciente. O objetivo é reduzir o risco de eventos como infarto e AVC a longo prazo, garantindo melhor qualidade de vida e maior longevidade.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Para entender o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Bruno Saba, cardiologista em Bragança Paulista e Amparo, pelo botão de WhatsApp do blog.

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