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Dr. Bruno Saba

Prevenção

Como prevenir infarto: fatores de risco e prevenção

O infarto é uma das principais causas de morte no Brasil. Conheça os fatores de risco e as medidas de prevenção.

Como prevenir infarto: fatores de risco e prevenção

O infarto é uma das principais causas de morte no Brasil. Conheça os fatores de risco e as medidas de prevenção.

O que é o infarto?

O infarto agudo do miocárdio, popularmente conhecido como 'ataque cardíaco', ocorre quando uma ou mais artérias coronárias são subitamente obstruídas, interrompendo o fluxo de sangue e oxigênio para uma parte do músculo cardíaco. Sem oxigênio, as células cardíacas começam a sofrer lesão isquêmica e, se o fluxo não for restabelecido rapidamente (idealmente em menos de 90 a 120 minutos), a lesão se torna irreversível, resultando em morte celular (necrose) e cicatrização do tecido. O mecanismo mais comum do infarto envolve a ruptura de uma placa de aterosclerose (acúmulo de gordura na parede arterial) seguida pela formação de um coágulo (trombo) que obstrui a artéria. O infarto continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 400 mil óbitos por ano no Brasil, e o infarto é o protagonista. No entanto, estudos mostram que até 80% dos infartos poderiam ser prevenidos com controle adequado dos fatores de risco.

Fatores de risco modificáveis

Os fatores de risco modificáveis são aqueles que podem ser controlados, tratados ou eliminados com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, intervenção médica. São os alvos primários da prevenção cardiovascular:

  • Hipertensão arterial, a pressão alta é o fator de risco mais prevalente no Brasil, presente em cerca de 30% da população adulta. Danifica progressivamente as paredes das artérias e sobrecarrega o coração. O controle com mudanças de hábitos e, quando indicado, medicamentos reduz significativamente o risco de infarto
  • Colesterol LDL elevado, o LDL em excesso se deposita nas paredes das artérias, formando placas de aterosclerose. Quanto mais alto o LDL, maior o risco. As estatinas são os medicamentos mais eficazes na redução do LDL e na prevenção de eventos cardiovasculares
  • Diabetes mellitus, a glicemia elevada de forma crônica acelera o processo de aterosclerose e danifica os vasos sanguíneos. Diabéticos têm risco cardiovascular equivalente ao de quem já teve um infarto
  • Tabagismo, fumar é um dos fatores de risco mais impactantes. O cigarro danifica as artérias, aumenta a inflamação vascular, eleva a pressão arterial, reduz o HDL e aumenta a tendência à formação de coágulos. Parar de fumar reduz o risco cardiovascular já nos primeiros meses
  • Sedentarismo, a inatividade física contribui diretamente para obesidade, hipertensão, diabetes e colesterol alto. O exercício regular protege o coração de múltiplas formas
  • Obesidade, especialmente a gordura visceral (abdominal), está associada a inflamação crônica, resistência à insulina e perfil metabólico desfavorável. A circunferência abdominal é um indicador importante de risco
  • Estresse crônico, a exposição prolongada ao estresse aumenta os níveis de cortisol e adrenalina, eleva a pressão arterial e pode promover hábitos prejudiciais (alimentação inadequada, tabagismo, sedentarismo)
  • Consumo excessivo de álcool, embora o consumo moderado tenha sido associado a algum benefício em estudos antigos, evidências mais recentes sugerem que os riscos superam os benefícios. O consumo excessivo está claramente associado a hipertensão, arritmias e cardiomiopatia

Fatores de risco não modificáveis

Alguns fatores de risco não podem ser alterados, mas devem ser considerados na avaliação do risco cardiovascular global. Conhecê-los permite intensificar a vigilância e o controle dos fatores modificáveis:

  • Idade, o risco cardiovascular aumenta progressivamente com a idade. Em homens, o risco começa a se elevar significativamente a partir dos 45 anos; em mulheres, a partir dos 55 anos (após a menopausa, quando a proteção hormonal diminui)
  • Sexo, homens têm risco cardiovascular mais elevado em idades mais jovens. Após a menopausa, o risco nas mulheres se equipara progressivamente ao dos homens
  • Histórico familiar, a presença de doença cardiovascular precoce em parentes de primeiro grau (infarto ou AVC antes dos 55 anos em pais ou irmãos, ou antes dos 65 anos em mães ou irmãs) é um fator de risco importante, pois reflete predisposição genética para aterosclerose acelerada

Medidas de prevenção baseadas em evidências

A prevenção do infarto é o pilar mais importante da cardiologia moderna. As medidas preventivas devem ser implementadas o mais cedo possível e mantidas ao longo da vida. As principais estratégias incluem:

  • Alimentação equilibrada, padrões alimentares como a dieta mediterrânea e a dieta DASH demonstraram redução significativa do risco cardiovascular. Priorizar frutas, verduras, legumes, grãos integrais, peixes, azeite e castanhas. Reduzir carnes processadas, embutidos, alimentos ultraprocessados, gorduras trans e excesso de sal (menos de 5g de sal por dia)
  • Atividade física regular, pelo menos 150 minutos por semana de exercício aeróbico de intensidade moderada (caminhada rápida, ciclismo, natação) ou 75 minutos de atividade vigorosa, complementados por exercícios de fortalecimento muscular 2 vezes por semana
  • Cessação do tabagismo, parar de fumar em qualquer idade traz benefícios. O risco cardiovascular começa a diminuir já nas primeiras semanas e após 5 a 10 anos se aproxima do risco de quem nunca fumou
  • Controle da pressão arterial, manter a pressão abaixo de 140/90 mmHg (ou metas mais baixas conforme o risco individual). Medição regular, uso correto dos medicamentos prescritos e acompanhamento cardiológico
  • Controle do colesterol, manter o LDL dentro da meta definida pelo cardiologista conforme o perfil de risco. Medidas dietéticas complementadas por medicamentos quando indicado
  • Controle glicêmico, manter a hemoglobina glicada dentro dos valores-alvo. O controle adequado do diabetes reduz significativamente as complicações cardiovasculares
  • Manutenção do peso saudável, o IMC ideal situa-se entre 18,5 e 24,9 kg/m². A circunferência abdominal deve ser inferior a 90 cm para homens e 80 cm para mulheres
  • Gerenciamento do estresse, técnicas de relaxamento, mindfulness, atividade física, hobbies, sono adequado (7-8 horas por noite) e, quando necessário, acompanhamento psicológico
  • Check-up cardiológico periódico, conforme a faixa etária e o perfil de risco, o acompanhamento regular permite detecção precoce e ajuste das estratégias preventivas

Sinais de alerta do infarto

Reconhecer os sinais de infarto e agir rapidamente é fundamental para salvar vidas e reduzir sequelas. O tempo entre o início dos sintomas e o restabelecimento do fluxo coronariano é diretamente proporcional ao tamanho da lesão cardíaca. Os sintomas mais comuns são: dor ou sensação de pressão intensa no centro ou no lado esquerdo do peito, que pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula, costas ou estômago; falta de ar; suor frio e profuso; náusea ou vômitos; sensação de desmaio ou tontura intensa; e sensação de morte iminente. Em mulheres, idosos e diabéticos, os sintomas podem ser atípicos, cansaço extremo e inexplicado, dor no estômago ou nas costas, falta de ar isolada sem dor torácica, mal-estar difuso. Ao suspeitar de infarto, a orientação é clara: ligue imediatamente para o SAMU (192) ou vá à emergência mais próxima. Não espere os sintomas passarem, não tente ir dirigindo sozinho. O tratamento rápido, com angioplastia primária para desobstruir a artéria, pode salvar vidas e preservar a função cardíaca.

Quando procurar o pronto-socorro

Dor no peito forte ou que não passa, falta de ar súbita, desmaio, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar não podem esperar consulta: procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Para entender o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Bruno Saba, cardiologista em Bragança Paulista e Amparo, pelo botão de WhatsApp do blog.

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