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Dr. Bruno Saba

Esporte

Exercício físico e o coração: o que saber antes de treinar

A atividade física traz benefícios cardiovasculares, mas é importante realizar avaliação médica antes de iniciar.

Exercício físico e o coração: o que saber antes de treinar

A atividade física traz benefícios cardiovasculares, mas é importante realizar avaliação médica antes de iniciar.

Benefícios do exercício para o coração

A atividade física regular é um dos pilares mais importantes da prevenção cardiovascular, e isso é respaldado por décadas de estudos científicos consistentes. O exercício promove adaptações fisiológicas que beneficiam diretamente o sistema cardiovascular: reduz a pressão arterial em repouso (efeito que pode equivaler ao de um medicamento anti-hipertensivo), melhora o perfil lipídico (aumenta o HDL e reduz o LDL e os triglicérides), melhora a sensibilidade à insulina e ajuda no controle da glicemia, facilita a perda e o controle do peso corporal, reduz marcadores inflamatórios e melhora a função endotelial (a 'saúde' das paredes das artérias). Além dos efeitos cardiovasculares diretos, o exercício regular melhora a saúde mental, reduz o estresse, melhora a qualidade do sono e aumenta a disposição e a capacidade funcional. A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada (como caminhada rápida, natação ou ciclismo) ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular pelo menos 2 vezes por semana.

Por que fazer avaliação antes de treinar?

Embora o exercício seja inequivocamente benéfico para a saúde, existe um paradoxo: durante a atividade física intensa, o risco de eventos cardiovasculares agudos aumenta transitoriamente, especialmente em pessoas que possuem condições cardíacas não diagnosticadas. É como se o exercício funcionasse como um 'teste de estresse' para o coração: em um coração saudável, isso é perfeitamente seguro e benéfico, mas em um coração com doença estrutural ou elétrica oculta, pode desencadear uma arritmia grave ou um infarto. A avaliação pré-participação esportiva existe justamente para identificar essas condições ocultas antes que causem problemas durante o exercício. As principais condições que podem representar risco são:

  • Cardiomiopatia hipertrófica, espessamento anormal do músculo cardíaco, é a causa mais comum de morte súbita em atletas jovens (abaixo de 35 anos). Pode não causar nenhum sintoma até o evento fatal
  • Anomalias coronarianas congênitas, variações anatômicas na origem ou no trajeto das artérias coronárias que podem comprometer o fluxo sanguíneo durante o exercício
  • Arritmias cardíacas não diagnosticadas, como síndrome de Wolff-Parkinson-White, síndrome do QT longo ou taquicardia ventricular catecolaminérgica
  • Doenças valvares significativas, especialmente a estenose aórtica, que pode causar síncope ou morte súbita durante esforço intenso
  • Doença arterial coronariana, em pessoas acima de 35 anos, a aterosclerose coronariana é a principal causa de eventos cardíacos relacionados ao exercício
  • Miocardite, inflamação do músculo cardíaco, frequentemente causada por infecções virais, que aumenta o risco de arritmias durante o exercício

O que inclui a avaliação pré-participação?

A avaliação cardiológica pré-participação esportiva é uma consulta específica, voltada para garantir que a prática de exercícios seja segura. Ela é mais abrangente do que uma consulta de rotina e inclui elementos direcionados à identificação de risco durante o esforço:

  • Consulta clínica com história pessoal detalhada, investigação de sintomas durante esforço (dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, tontura ou desmaio), doenças prévias e medicamentos em uso
  • Histórico familiar aprofundado, pesquisa de casos de morte súbita, cardiomiopatias, arritmias ou doença coronariana precoce na família
  • Exame físico completo, com atenção especial à ausculta cardíaca (para identificar sopros), palpação de pulsos, medida da pressão arterial e avaliação de sinais sugestivos de síndromes genéticas associadas a doenças cardíacas
  • Eletrocardiograma de repouso, recomendado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e pela maioria das diretrizes europeias. Pode identificar padrões sugestivos de cardiomiopatia hipertrófica, síndrome de Wolff-Parkinson-White, QT longo e outras condições
  • Teste ergométrico, indicado conforme a idade, os fatores de risco e o nível de atividade pretendido. Avalia a resposta cardiovascular ao esforço progressivo
  • Ecocardiograma, pode ser solicitado quando há sopro, alteração no ECG, sintomas sugestivos ou histórico familiar de cardiomiopatia

Quem deve fazer a avaliação?

Idealmente, toda pessoa que pretende iniciar atividade física regular deveria passar por uma avaliação médica, mesmo que simplificada. No entanto, a avaliação cardiológica completa é especialmente indicada para: pessoas acima de 35 anos que pretendem iniciar exercício de intensidade moderada a vigorosa; pessoas de qualquer idade com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo, obesidade, sedentarismo prolongado); atletas amadores que praticam esportes competitivos ou de alta intensidade; atletas profissionais (devem realizar avaliação periódica, geralmente anual); pessoas com histórico familiar de morte súbita, cardiomiopatia ou doença coronariana precoce; pessoas que apresentaram qualquer sintoma cardiovascular durante exercício (dor no peito, falta de ar excessiva, palpitações, tontura, desmaio). A avaliação não deve ser vista como barreira à prática de exercícios, pelo contrário, ela visa garantir que o exercício seja praticado com segurança e com a intensidade adequada para cada pessoa.

Exercício e condições cardíacas já diagnosticadas

Um mito ainda comum é o de que pessoas com doenças cardíacas não podem ou não devem fazer exercício. Na grande maioria dos casos, essa ideia está incorreta. Pacientes com hipertensão, doença coronariana estável, insuficiência cardíaca compensada, arritmias controladas e outras condições cardiovasculares podem, e devem, praticar atividade física regular, desde que orientados pelo cardiologista. O tipo, a intensidade, a duração e a frequência do exercício são individualizados conforme a condição cardíaca, a capacidade funcional e as limitações de cada paciente. A reabilitação cardiovascular é um programa supervisionado, geralmente realizado em ambiente clínico, que combina exercício físico monitorado, educação em saúde e suporte psicológico. É indicado para pacientes que sofreram infarto, passaram por cirurgia cardíaca, receberam stent ou que têm insuficiência cardíaca. Os estudos mostram que a reabilitação cardiovascular reduz significativamente o risco de novos eventos e melhora a qualidade de vida.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Para entender o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Bruno Saba, cardiologista em Bragança Paulista e Amparo, pelo botão de WhatsApp do blog.

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