Prevenção
AVC e coração: relação entre arritmia, hipertensão e Acidente Vascular Cerebral
AVC e doenças cardíacas estão intimamente ligados. Entenda a relação e como a prevenção cardiológica protege o cérebro.

AVC e doenças cardíacas estão intimamente ligados. Entenda a relação e como a prevenção cardiológica protege o cérebro.
Por que o coração e o cérebro estão conectados?
O coração e o cérebro compartilham o mesmo sistema vascular. O coração bombeia o sangue que irriga o cérebro pelas artérias carótidas e vertebrais. Qualquer condição que afete o fluxo ou a qualidade desse sangue pode provocar um AVC (Acidente Vascular Cerebral). O AVC isquêmico, o tipo mais comum, ocorre quando um coágulo ou placa de gordura obstrui uma artéria cerebral. Esse coágulo pode se formar no próprio cérebro (trombose local) ou em outro lugar do corpo e ser levado até o cérebro pela circulação (êmbolo). O coração é uma das fontes mais importantes de êmbolos: arritmias como a fibrilação atrial e doenças das válvulas cardíacas podem gerar coágulos dentro do coração que, ao se desprenderem, viajam até as artérias cerebrais e causam o derrame.
Fibrilação atrial: principal causa cardíaca de AVC
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum e um dos principais fatores de risco para AVC isquêmico. Na fibrilação atrial, os átrios (câmaras superiores do coração) não se contraem de forma coordenada, favorecendo a formação de coágulos na parede do coração. Quando esses coágulos se deslocam, podem obstruir artérias cerebrais e causar o AVC. Pacientes com FA têm risco de AVC até cinco vezes maior.
- Formação de coágulos no átrio esquerdo durante a FA
- Êmbolos que viajam até as artérias cerebrais
- Anticoagulantes reduzem o risco em até 70%
- Escala CHA2DS2-VASc guia a decisão de anticoagular
Tratamento da FA e prevenção de AVC
O tratamento com anticoagulantes (remédios que "afinam" o sangue) reduz significativamente o risco de AVC em pacientes com fibrilação atrial. O cardiologista avalia o risco de AVC de cada paciente, usando escalas como CHA2DS2-VASc, e define se a anticoagulação está indicada. O ecocardiograma e o Holter são exames essenciais para o diagnóstico e acompanhamento da FA. Em alguns casos, a ablação da fibrilação atrial pode ser considerada como estratégia para controlar a arritmia e, em situações selecionadas, reduzir a necessidade de anticoagulação.
Hipertensão arterial e AVC
A hipertensão arterial é o fator de risco mais importante para AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. A pressão elevada danifica as paredes das artérias cerebrais ao longo do tempo, favorecendo a formação de placas e o enfraquecimento das paredes, o que pode levar a obstruções ou rompimentos. O controle adequado da pressão arterial reduz dramaticamente o risco de AVC. A meta geral é manter a pressão abaixo de 140/90 mmHg, podendo ser mais rigorosa (130/80 mmHg) em pacientes de alto risco. O acompanhamento cardiológico inclui a verificação regular da pressão, o ajuste dos medicamentos anti-hipertensivos e, quando necessário, o exame MAPA para avaliar o perfil pressórico nas 24 horas.
Outras doenças cardíacas e risco de AVC
Além da fibrilação atrial e da hipertensão, outras condições cardíacas aumentam o risco de AVC. A estenose (estreitamento) da válvula mitral pode favorecer a formação de coágulos no átrio esquerdo. A insuficiência cardíaca e o infarto prévio também elevam o risco. O forame oval patente (FOP), uma pequena comunicação entre os átrios que persiste em parte da população, pode permitir que coágulos venosos alcancem o cérebro em situações específicas. O ecocardiograma é fundamental para identificar essas condições.
Exames e acompanhamento
O cardiologista, ao diagnosticar e tratar as doenças cardíacas, contribui diretamente para a prevenção do AVC. O ecocardiograma identifica alterações estruturais e permite avaliar o risco de formação de coágulos. O Holter detecta fibrilação atrial paroxística que pode passar despercebida no ECG de repouso. O controle da pressão arterial, com verificação regular e, quando indicado, MAPA, é essencial. O acompanhamento cardiológico regular garante que os fatores de risco cardíacos estejam controlados, protegendo não só o coração, mas também o cérebro.
Quando procurar o pronto-socorro
Dor no peito forte ou que não passa, falta de ar súbita, desmaio, fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar não podem esperar consulta: procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (SAMU).
Leia também
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Para entender o seu caso, agende uma consulta com o Dr. Bruno Saba, cardiologista em Bragança Paulista e Amparo, pelo botão de WhatsApp do blog.